Como identificar uma governança que parou de gerar valor

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autor

José Damigo

Founder & CEO

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5 min.

A maioria das empresas que constrói um conselho acredita que, ao fazê-lo, resolveu o problema da governança. Constituiu o colegiado, definiu a periodicidade das reuniões, aprovou um regimento. No papel, tudo existe. Na prática, muitas vezes, nada acontece.

O conselho que deveria ser o centro das decisões estratégicas se transforma, com o tempo, em um ritual. As reuniões viram prestação de contas do passado, não construção do futuro. Os mesmos temas se repetem. As decisões importantes continuam sendo tomadas fora da sala, pelas mesmas pessoas de sempre. E o conselho passa a existir para cumprir uma formalidade, não para gerar valor.

Reconhecer esse cenário é o primeiro passo para mudá-lo. Há sinais claros de que uma governança parou de funcionar.

O primeiro sinal: a pauta olha para trás

Conselhos que perderam relevância gastam a maior parte do tempo revisando resultados que já aconteceram. Relatórios financeiros, indicadores do trimestre, análises do que passou. Informação histórica importa, mas quando ela domina a pauta, o conselho deixou de ser estratégico. O papel de um conselho é discutir o que ainda não aconteceu, antecipar riscos e construir o caminho. Se a reunião é sobre o retrovisor, algo está errado.

O segundo sinal: as decisões reais acontecem fora da sala

Quando os membros chegam à reunião e tudo já foi decidido, o conselho virou teatro. A deliberação coletiva foi substituída pela validação de decisões tomadas individualmente. Isso costuma acontecer quando o poder está concentrado em uma figura central, geralmente o fundador, que mantém o conselho como instância formal mas conduz o negócio sozinho. O risco aqui não é só estratégico. É de continuidade: se tudo depende de uma pessoa, o que acontece quando ela não estiver presente?

O terceiro sinal: os membros não têm o perfil que a empresa precisa agora

Conselhos costumam ser formados em um momento específico da empresa e raramente são revisados. Os membros que faziam sentido quando a organização faturava um valor X podem não ser os ideais quando ela cresce, muda de setor ou enfrenta uma transição. Um conselho de alta performance exige composição alinhada ao momento atual do negócio, com diversidade de competências e independência suficiente para discordar.

O que fazer a partir daqui

Reverter uma governança que virou ritual não significa refazer tudo do zero. Significa diagnosticar com precisão onde está o problema: na pauta, na composição, na distribuição de poder ou na cultura de decisão. A partir daí, reconstruir o conselho como aquilo que ele deveria ser desde o início: o lugar onde as decisões que definem o futuro da organização são realmente tomadas.

Governança não é sobre ter um conselho. É sobre ter um conselho que funciona quando mais importa.

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